Filme relembra a maior tragédia da pesca no litoral do estado.
Moradores participam do relato do acidente que aconteceu em 1943.
Um cineasta alemão que se apaixona por uma pesquisadora local ao chegar a Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio, onde quer desvendar e documentar o mistério de um barco pesqueiro afundado em 1943, por submarinos, na Segunda Guerra. A ficção se mistura com a realidade no documentário "O Destino de Changri-lá", do cineasta niteroiense Flávio Cândido.
O documentário ficcional, ou doc-fic, como é chamado pelo cineasta, conta, em meio ao romance, depoimentos reais da história que matou dez pescadores da Região dos Lagos. A produção, que reúne formatos distintos de roteiro, é o toque inovador de Flávio Cândido. Uma ousadia formal, segundo ele. Entre atores e figurantes, diversos moradores da cidade, pescadores, pesquisadores e descendentes das vítimas do acidente, contribuem para o resgate da história.
A história de Changri-lá
A curiosidade e inspiração surgiram para Flávio em 2001, quando após 58 anos, o Tribunal Marítimo Brasileiro reabriu o caso e oficializou o naufrágio da embarcação como resultado do ataque do submarino alemão U-199, durante a Segunda Guerra Mundial. Changri-lá é, até hoje, a maior tragédia da pesca no litoral do estado.
confirmado apenas em 2001 (Foto: Divulgação)
Quem conta a história
Em meio a mais de 60 figurantes locais e uma paisagem deslumbrante, o carinho de Flávio Cândido pela cidade cresceu. "Eu já tinha uma relação antiga com Arraial, mas apenas com o caso (do naufrágio). Depois de um tempo passei a me envolver também com a cultura local. O meio ambiente do local misturado com a cultura: isso faz parte da história de Changri-lá".
Para chegar aos personagens que iriam ajudá-lo a contar sua história, Flávio recebeu o apoio da prefeitura da cidade e de instituições locais, como o Ponto de Cultura Artesão, que contribuiu com indicações de elenco de apoio, além da produção de cenografia e figurino. Coordenadora do Ponto de Cultura, Rose Cintra, comentou o envolvimento da população local no projeto. "Foi uma história muito marcante para a cidade, que na época tinha pouquíssimos habitantes. Hoje a população está bem favorável pelo êxito do filme porque muita gente tem parentesco com aqueles pescadores", explica.
do filme (Foto: Divulgação / Alessandra Rezende)
De acordo com Cândido, o telefilme deve ser lançado em abril, mas até o momento ele ainda não tem contrato de exibição. Atualmente o processo é de edição mas o cineasta ainda deve voltar à Arraial para últimas imagens. Ele explica a demora para a conclusão do filme. "Eu poderia ter feito rápido, mas queria que a história fosse contada e sentida".
Esta reportagem faz parte de uma série de cinco publicações que serão disponibilizadas pelo G1 todos os finais de semana, até o final de fevereiro.

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